Na quarta-feira (8), um dia após a presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciar a criação de um sistema de saúde universal a partir de 2027, o secretário de Saúde mexicano, David Kershenobich Stalnikowitz, esteve em Brasília para firmar um memorando de cooperação em cinco áreas com o governo Lula (PT). O foco está no compartilhamento do know-how brasileiro com o SUS e o programa Farmácia Popular.
O documento ao qual o SBT News teve acesso mostra que a experiência brasileira na produção de vacinas e de insumos estratégicos, além do combate a doenças “associadas à pobreza, estigma ou marginalização”, citando a tuberculose, o HIV e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), são outros eixos do interesse mexicano. O polo da saúde é um dos pilares da Nova Indústria Brasil – a intenção é, até 2033, ter 70% de todos os medicamentos, imunizantes, materiais hospitalares e demais dispositivos médicos produzidos em território nacional. A taxa hoje é próxima a 45%.
No campo farmacêutico, o memorando fala no “intercâmbio de informação e práticas sobre políticas nacionais que buscam garantir e ampliar o acesso da população a medicamentos, promovendo seu uso racional”. O país enfrenta cenários frequentes de desabastecimento de insumos e dificuldade em levar medicamentos a regiões mais isoladas.
O Farmácia Popular é produto do primeiro governo Lula (PT), em 2004. O programa permitiu a distribuição gratuita ou com desconto de medicamentos e insumos de saúde em unidades próprias ou farmácias credenciadas da rede privada, com subsídio do governo.
Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública em 2019, antes da pandemia de Covid -19, estima que o programa possa ter contribuído para reduzir em 8% as mortes e em 27% as internações de pacientes com doenças crônicas.
Já a cooperação em vacinas é centrada no Butantan e na Fiocruz, que patenteou no ano passado a primeira plataforma nacional de RNA Mensageiro (RNAm), tecnologia que instrui o sistema imunológico a reagir contra patógenos e elimina a etapa de cultivo do vírus em laboratório, o que acelera a produção dos imunizantes.
O diálogo entre os governos se intensificou a partir de agosto de 2025, quando a delegação comandada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin levou à Cidade do México representantes do Ministério da Saúde, do Butantan e da Fiocruz e ouviu dos mexicanos pela primeira vez a intenção de modernizar seu sistema público de saúde.
Fonte SBT





