Advogado que matou ex-companheira na frente dos filhos é condenado por torturar as crianças
Texto: G1/PR – Imagem: Divulgação
O ex-advogado Jaminus Quedaros de Aquino, acusado de matar a ex-companheira na frente dos filhos, foi condenado por torturar as duas crianças enquanto ainda convivia com eles.
Em 2022, Jaminus atirou contra Suellen Rodrigues enquanto ela deixava os filhos do casal na escola para o primeiro dia de aula em Curitiba.
À época, as crianças tinham 10 e 7 anos e tinham fugido com a mãe de Prudentópolis para recomeçar a vida na capital paranaense. Jaminus está preso. (Mais sobre o caso nos links abaixo).
Na decisão, assinada pelo juiz Christiano Camargo, Jaminus foi condenado a 35 anos de reclusão em regime fechado. Além disso, deverá pagar indenização de R$ 25 mil às vítimas e perdeu o poder familiar sobre os filhos. Cabe recurso da decisão.
Segundo o juiz, foi realizado um laudo psicológico das crianças por elas terem presenciado o assassinato da mãe. Durante os depoimentos, as crianças indicaram a prática de outros crimes cometidos por Jaminus.
Conforme a sentença, foram ao menos cinco episódios de agressões mencionados pelas vítimas, que aconteceram entre 2017 e 2022. As crianças relataram agressões físicas com tapas e cintadas e castigos, como serem deixadas presas em uma cadeirinha no escuro.
Citaram também agressões do pai aos animais de estimação da família.
O documento aponta também que Suellen orientou o filho a se esconder no banheiro para se proteger das agressões do pai.
A sentença destaca que, além das agressões físicas, as crianças eram expostas a intenso sofrimento mental ao presenciarem o pai ameaçando a mãe.
“É certo que para a configuração do crime de tortura, não é necessário que a violência seja apenas física.
Em verdade, atos de violência praticados contra um familiar próximo (no caso a genitora) em frente às crianças de tenra idade, bem como maus tratos contra animais domésticos, pelos quais os infantes nutrem apreço, igualmente se prestam a caracterizar o delito em questão”, afirma o documento.
Em depoimento, Jaminus negou as agressões. Além do crime de feminicídio, o acusado também responde por ameaça e descumprimento de medida protetiva.
Procurada pelo g1 para comentar a decisão, a defesa dele optou por não se manifestar.





