A chegada do Arcanjo 01, primeiro helicóptero exclusivo do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), não trouxe apenas um reforço operacional para a corporação. Junto com a aeronave, a história da corporação também ganha um novo capítulo: a atuação da capitã Keyla Karas, a primeira mulher piloto de helicóptero dos bombeiros paranaenses.
Integrante da recém-criada Unidade Aérea do CBMPR, Keyla passou a compor em 2025 a equipe formada por três pilotos e um operador aerotático. Para ela, a conquista é resultado de uma carreira marcada pela dedicação e pela coragem de enfrentar desafios.
“É um privilégio, com certeza é uma satisfação muito grande, porque é uma profissão muito desafiadora. Ser bombeiro já é uma profissão desafiadora, e evoluir para a aviação tem um significado muito importante. É uma conquista que exige estudo, dedicação e coragem”, afirma.
Da formação à aviação
Keyla ingressou na corporação em 2008 e concluiu sua formação como oficial em 2010. Desde então, atuou em diversas cidades do interior e também na capital, até decidir, em 2024, dar um novo rumo à sua carreira e buscar a aviação. A escolha não foi por acaso: ela se inspirava nas missões em que o apoio aéreo fazia a diferença.
“Sempre me emocionava ao ver as ocorrências sendo concluídas com o apoio do helicóptero, porque percebia que o atendimento era completo e no menor tempo possível, dando chance real de sobrevivência às vítimas. Hoje, poder estar nessa posição e ajudar diretamente as pessoas é o que me motiva todos os dias”, explica a capitã.
Operações e impacto do Arcanjo 01
Com o Arcanjo 01, o CBMPR ampliou sua capacidade de resposta em emergências, desastres e salvamentos. Em operações recentes, a aeronave mostrou sua eficiência no combate a incêndios florestais, realizando mais de 50 lançamentos de água em um único dia. Esse desempenho comprova que a presença do helicóptero, somada à atuação de pilotos como Keyla, representa um salto na agilidade e na qualidade do atendimento prestado à população.
Inspiração para outras mulheres
Além do aspecto operacional, a trajetória da capitã Keyla Karas também tem um peso simbólico: ela representa uma inspiração para outras mulheres que sonham em seguir na aviação ou em funções tradicionalmente ocupadas por homens.
“Quando uma mulher ocupa este espaço, sinaliza para as outras que elas também podem. É uma caminhada que exige preparo físico e intelectual, mas cada passo dado demonstra que estamos aptas e capacitadas para atuar em qualquer função dentro da corporação”, ressalta.
Outras pioneiras na aviação da segurança pública
Keyla se soma a uma pequena, mas crescente lista de mulheres que abriram caminhos na aviação das forças de segurança do Paraná. A capitã Maitê Baldan, da Polícia Militar, foi pioneira como piloto de helicóptero do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), atuando entre 2016 e 2022.
Já na Polícia Civil, Daiane Zanon é piloto de avião desde 2019, ao lado de 19 colegas homens. Em 2024, a capitã Jenifer Formanquevski, da Polícia Militar, tornou-se a primeira copiloto da Casa Militar do Paraná e a primeira mulher da instituição a conquistar brevê para aviões e helicópteros.
Um marco histórico
A presença da capitã Keyla Karas no comando do Arcanjo 01 simboliza não apenas um avanço para o Corpo de Bombeiros, mas também um marco para a representatividade feminina na aviação de segurança pública. Sua trajetória mostra que dedicação, estudo e perseverança são capazes de romper barreiras e abrir caminhos para que outras mulheres possam voar ainda mais alto.





