Governo prepara canetas emagrecedoras no SUS para tratamento da obesidade
Ministério da Saúde estuda protocolo para ampliar acesso aos medicamentos; projeto com semaglutida já acompanha pacientes com obesidade grave pelo SUS
Redação O Prudentopolitano
O Governo Federal prepara a disponibilização das chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com indicação médica no tratamento da obesidade. A estratégia está sendo analisada pelo Ministério da Saúde, que pretende estabelecer critérios clínicos específicos para que os medicamentos sejam oferecidos gratuitamente na rede pública.
Nesta quinta-feira (17), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pasta trabalha na elaboração de um protocolo para que esse tipo de medicamento possa futuramente ser disponibilizado pelo SUS em todo o território nacional.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta não é tratar as canetas como uma solução meramente estética, mas incorporá-las dentro de uma estratégia médica para pacientes que realmente necessitem do tratamento, com acompanhamento profissional e critérios definidos.
A publicação oficial do ministério, no entanto, não estabelece uma data para o início da distribuição nacional das canetas pelo SUS. Antes disso, o governo pretende avaliar resultados clínicos, segurança, custos e o perfil dos pacientes que poderão ser beneficiados.
Estudo já atende pacientes do SUS
Uma das principais experiências em andamento é o estudo Real-Bari, realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
O projeto utiliza a semaglutida, princípio ativo pertencente à classe dos medicamentos conhecidos como agonistas de GLP-1.
Ao todo, aproximadamente 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças serão acompanhados. Parte desse grupo possui indicação para cirurgia bariátrica.
O objetivo é analisar a efetividade do medicamento, sua segurança, os impactos clínicos e também os custos que uma eventual oferta em maior escala representaria para o sistema público de saúde.
O projeto começou em junho de 2026 e prevê acompanhamento dos participantes durante dois anos.
Governo quer definir quem terá acesso
De acordo com o Ministério da Saúde, um dos pontos centrais será justamente estabelecer critérios para determinar quais pacientes poderão receber o medicamento.
Entre os grupos atualmente estudados estão pessoas com obesidade grave, pacientes que aguardam cirurgia bariátrica e pessoas que apresentam outras condições de saúde associadas à obesidade.
O acompanhamento médico deverá ser uma parte fundamental da estratégia.
O Ministério da Saúde também afirma que pretende avaliar se, em determinados pacientes, o tratamento medicamentoso pode reduzir riscos associados à obesidade ou modificar a necessidade de outros procedimentos.
Brasil amplia número de medicamentos registrados
Outro fator considerado pelo governo é o aumento da concorrência no mercado.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já conta com 14 produtos registrados relacionados a medicamentos para o tratamento da obesidade, incluindo novas opções com princípios ativos como semaglutida e liraglutida.
Em julho, a Anvisa anunciou o registro de mais cinco medicamentos à base de semaglutida. O Ministério da Saúde havia solicitado prioridade na análise de novos produtos como parte da estratégia para ampliar a concorrência, estimular a produção nacional e buscar uma redução de preços.
O custo dos medicamentos é considerado uma das questões decisivas para uma eventual incorporação em larga escala ao SUS.
Semaglutida já havia sido analisada pela Conitec
A discussão sobre a entrada desses medicamentos na rede pública não começou agora.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou decisão de não incorporar naquele momento a semaglutida ao SUS para um grupo específico: pacientes com obesidade graus II e III, sem diabetes, a partir de 45 anos e com doença cardiovascular estabelecida.
A própria decisão estabeleceu, porém, que a tecnologia poderia passar por uma nova avaliação caso surgissem novos fatos capazes de modificar a análise.
Desde então, novos medicamentos foram registrados, houve redução de preços e o Ministério da Saúde iniciou estudos diretamente com pacientes do sistema público.
OMS reconhece obesidade como doença crônica
A movimentação brasileira ocorre também após a Organização Mundial da Saúde publicar, em dezembro de 2025, sua primeira diretriz global sobre o uso de medicamentos da classe GLP-1 no tratamento da obesidade.
A OMS considera a obesidade uma doença crônica e recorrente e apresentou recomendação condicional para o uso de terapias GLP-1 no tratamento de adultos com obesidade.
A organização ressalta, entretanto, que os medicamentos devem fazer parte de uma abordagem mais ampla, acompanhada de orientação profissional, alimentação adequada, atividade física e outras medidas de cuidado.
A OMS também alerta que essas medicações não são indicadas para todas as pessoas e devem ser utilizadas somente após avaliação e prescrição de profissional habilitado.
O que muda agora?
Por enquanto, o anúncio do Governo Federal representa uma preparação para uma possível ampliação do tratamento, e não a liberação imediata das canetas em todas as unidades do SUS.
O Ministério da Saúde pretende usar os estudos em andamento para definir protocolo, público prioritário, acompanhamento dos pacientes e viabilidade econômica.
Portanto, pacientes de Prudentópolis e de outras cidades brasileiras ainda não devem procurar unidades de saúde esperando receber imediatamente as canetas emagrecedoras, já que não existe, até o momento, uma oferta nacional estabelecida para o tratamento da obesidade.
A expectativa é que os resultados dos estudos subsidiem as próximas decisões sobre a incorporação dessa nova geração de medicamentos à rede pública brasileira.
Fontes: Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e Organização Mundial da Saúde (OMS).
Redação O Prudentopolitano





