OBESIDADE NÃO É FALTA DE FORÇA DE VONTADE: doença crônica pode exigir tratamento por toda a vida
OMS, Ministério da Saúde e especialistas reconhecem a obesidade como uma doença crônica, complexa e recidivante. Estudos mostram ainda que parte do peso perdido pode retornar depois da interrupção de medicamentos.
Durante muitos anos, pessoas com obesidade enfrentaram a ideia de que bastaria “comer menos”, fazer exercícios ou ter mais força de vontade para emagrecer. A ciência, porém, mostra que a realidade é muito mais complexa.
O Ministério da Saúde define a obesidade como uma doença crônica, recidivante e multifatorial, influenciada por fatores genéticos e pela interação entre os genes e o ambiente em que a pessoa vive. (สล็อตทุนน้อยแตกง่าย)
Isso significa que o desenvolvimento e a evolução da obesidade não dependem exclusivamente das escolhas individuais.
Fatores biológicos, metabólicos, genéticos, ambientais, comportamentais e sociais podem participar do processo.
Doença pode voltar mesmo depois do emagrecimento
Outro ponto importante é entender o significado de a obesidade ser considerada uma doença recidivante.
Mesmo após uma pessoa conseguir uma grande redução de peso, mecanismos biológicos envolvidos na regulação da fome, da saciedade e do peso corporal podem favorecer novamente o ganho de peso.
Por isso, recuperar parte do peso perdido não significa necessariamente falta de disciplina ou fracasso pessoal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também trata atualmente a obesidade como uma doença crônica e recidivante e ressalta a necessidade de estratégias de acompanhamento de longo prazo. (Organização Mundial da Saúde)
E as chamadas “canetas emagrecedoras”?
O crescimento do uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida trouxe resultados importantes para o tratamento da obesidade, mas também levantou uma questão: o que acontece quando o medicamento é interrompido?
Um estudo de extensão do ensaio clínico STEP 1, publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism e disponível no PubMed, acompanhou pacientes tratados com semaglutida.
Durante o tratamento, os participantes avaliados apresentaram redução média de aproximadamente 17,3% do peso corporal.
Um ano depois da retirada do medicamento, porém, eles haviam recuperado, em média, cerca de dois terços do peso perdido anteriormente. Os pesquisadores destacaram que os resultados reforçam o caráter crônico da obesidade e a possibilidade de necessidade de tratamento continuado para manutenção dos benefícios. (PubMed)
Tirzepatida também apresentou recuperação de peso após interrupção
Outro estudo importante foi o SURMOUNT-4, publicado no periódico científico JAMA.
Após 36 semanas utilizando tirzepatida, os participantes apresentaram uma redução média de 20,9% do peso corporal.
Depois disso, parte dos pacientes continuou utilizando o medicamento enquanto outro grupo passou a receber placebo.
Durante as 52 semanas seguintes, quem interrompeu a tirzepatida apresentou uma recuperação média de aproximadamente 14% do peso, enquanto quem permaneceu no tratamento continuou perdendo peso. (JAMA Network)
Uma análise posterior publicada no JAMA Internal Medicine também encontrou associação entre uma maior recuperação do peso depois da retirada da tirzepatida e a perda de parte dos benefícios obtidos inicialmente sobre indicadores como pressão arterial, circunferência abdominal, glicemia e colesterol. (JAMA Network)
Medicamento é tratamento, não “cura milagrosa”
Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira diretriz global sobre o uso de medicamentos da classe GLP-1 no tratamento da obesidade.
A OMS reconheceu medicamentos como liraglutida, semaglutida e tirzepatida como opções para tratamento de longo prazo de adultos com obesidade em situações indicadas.
Ao mesmo tempo, a entidade ressaltou uma mensagem fundamental:
medicamentos, sozinhos, não resolvem o problema da obesidade.
O tratamento deve fazer parte de uma abordagem mais ampla, incluindo alimentação saudável, atividade física e acompanhamento realizado por profissionais de saúde. (Organização Mundial da Saúde)
No Brasil, a ABESO — Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica — publicou em 2026 uma nova Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, reforçando que a escolha da medicação deve ser individualizada e levar em consideração condições clínicas, metas, contraindicações, custos e características de cada paciente. (Abeso)
Obesidade precisa ser encarada como doença
A mudança de entendimento é importante também para combater o preconceito.
Obesidade não deve ser reduzida simplesmente a uma questão estética, preguiça ou falta de força de vontade.
Trata-se de uma condição que pode aumentar o risco de problemas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, determinados tipos de câncer e outras complicações de saúde. (สล็อตทุนน้อยแตกง่าย)
Da mesma maneira que ocorre com outras doenças crônicas, o tratamento pode precisar ser mantido e ajustado ao longo da vida.
Por isso, quando uma pessoa recupera peso depois de emagrecer, a resposta não deveria ser julgamento. O caminho indicado é uma nova avaliação e a continuidade do acompanhamento profissional.
Medicamentos podem ser ferramentas importantes no controle da obesidade, mas não devem ser entendidos como uma cura definitiva ou utilizados sem acompanhamento médico.
FONTES
Ministério da Saúde: Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade no Adulto. (สล็อตทุนน้อยแตกง่าย)
Organização Mundial da Saúde (OMS): Diretriz sobre utilização de medicamentos GLP-1 no tratamento da obesidade, publicada em dezembro de 2025. (Organização Mundial da Saúde)
ABESO: Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026. (Abeso)
Estudo STEP 1: Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide, publicado em Diabetes, Obesity and Metabolism e indexado no PubMed. (PubMed)
Estudo SURMOUNT-4: ensaio clínico sobre manutenção da perda de peso com tirzepatida, publicado no JAMA. (JAMA Network)
Redação O Prudentopolitano
Esse título trabalha bem o aspecto de quebrar o preconceito e ao mesmo tempo desperta curiosidade para a matéria.





