Brasil registra menor número de assassinatos em 13 anos, mas feminicídios atingem recorde

Brasil registra menor número de assassinatos em 13 anos, mas feminicídios atingem recorde

O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de mortes violentas intencionais dos últimos 13 anos. Apesar da redução geral da violência letal, os casos de feminicídio cresceram e atingiram o maior número já contabilizado no país.

Os dados fazem parte da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23).

De acordo com o levantamento, a taxa de mortes violentas intencionais caiu de 20,6 casos por 100 mil habitantes, em 2024, para 19,1 casos por 100 mil habitantes em 2025. A redução foi de 8,2%.

Em números absolutos, o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, diante de 44.127 ocorrências contabilizadas no ano anterior.

Esse foi o menor patamar registrado desde 2012, quando o indicador começou a ser medido. Também foi a primeira vez que o Brasil apresentou uma taxa inferior a 20 mortes violentas por 100 mil habitantes. Em 2012, o índice era de 27,7 casos.

A classificação de mortes violentas intencionais inclui homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios — roubos seguidos de morte —, lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e mortes de policiais, tanto em serviço quanto fora do horário de trabalho.

Feminicídios aumentam e chegam ao maior número da série histórica

Mesmo com a redução geral dos assassinatos, os dados relacionados à violência contra a mulher apresentam um cenário preocupante.

Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil foram mortas por razões relacionadas ao gênero. Esse é o maior percentual registrado desde 2015, quando o feminicídio foi incluído no Código Penal brasileiro.

Ao todo, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no último ano, o equivalente a uma média de 4,3 mortes por dia.

A taxa nacional chegou a 1,4 vítima para cada grupo de 100 mil mulheres, representando um crescimento de 4% em comparação com 2024.

As tentativas de feminicídio também aumentaram. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 4.189 mulheres sobreviveram a ataques classificados como tentativas de feminicídio em 2025.

O número representa uma alta de 5,9% em relação ao ano anterior. Na prática, para cada feminicídio consumado registrado no Brasil, ocorreram quase três tentativas.

Os dados reforçam que, apesar da queda nos índices gerais de mortes violentas, o enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios da segurança pública brasileira.

Texto e foto: Reprodução/Agência Brasil
Edição: Marcelo Bini – O Prudentopolitano

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