Uma nova variante da Covid-19 entrou no radar de autoridades de saúde do mundo todo. Apelidada de “Cicada” (cigarra, em português), a cepa BA.3.2 já foi identificada em 20 países, incluindo Estados Unidos e China, segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), e chama a atenção de especialistas devido ao alto número de mutações. Ainda não foram registrados casos no Brasil.
O CDC descreve a variante BA.3.2 como uma linhagem do Sars-CoV-2 (vírus causador da Covid-19) “altamente divergente” por concentrar mais de 70 mutações na proteína usada pelo vírus para se ligar às celulas humanas.
“Não tem nada nela, nessas 75 mutações do genoma, que diga que ela é mais agressiva, mais letal ou mais contagiosa. Por enquanto, não se sabe se ela é mais transmissível. Inclusive, ela tem um pouquinho de dificuldade até em se ligar nas nossas células. Algumas das mutações são boas para o vírus, mas algumas acabam sendo não tão boas. Então ela chega, entra nas nossas células, mas tem um pouco mais de dificuldade até que as outras variantes”, explicou o virologista.
“Quanto mais eu tiver vacinado, quanto mais vacinas em dia eu tiver para Covid, mais chance de armar uma defesa que consiga pegar essas pequenas mutações aí, né? (…) A duração da imunidade para o coronavírus é muito baixa, menos de um ano. Você junta isso a um vírus que muta muito rápido e a pessoas que ficam muito juntas, é o que o vírus quer para se transmitir. Então, isso pode dar a chance de cada vez mais surgirem variantes que, talvez, sejam mais agressivas e que vai dar mais transmissão, né? Lembrando que a vacinação não é para impedir a doença, é para ter sintomas mais suaves sempre, né? Por isso, também todo mundo tem que ter a vacinação em dia de Covid e de todas as outras doenças, para não ter complicação por Covid”, concluiu o médico e professor da USP, Paulo Eduardo Brandão.
Fonte SBT





