INTERNACIONAL | O PRUDENTOPOLITANO | 6 DE NOVEMBRO DE 2026
PARAGUAI MERGULHA EM GRAVE CRISE FINANCEIRA E POLÍTICA: MILHÕES FICAM SEM ACESSO AO DINHEIRO E PRESIDENTE ANUNCIA RENÚNCIA
Colapso de um dos maiores bancos do país atinge quase 3 milhões de clientes, compromete recursos públicos, provoca manifestações e desencadeia processo de impeachment contra Santiago Peña.
O Paraguai enfrenta uma das mais graves crises políticas e financeiras de sua história recente. O colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país, provocou uma onda de insegurança entre milhões de cidadãos, colocou recursos públicos sob risco e desencadeou uma turbulência que chegou ao mais alto escalão do governo.
A situação ganhou proporções ainda maiores nesta quinta-feira (5), quando o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia, pressionado pelo escândalo bancário e pela perda de apoio político. Entretanto, sua saída ainda depende de uma definição institucional, já que o Congresso avançou com o processo de impeachment.
QUASE 3 MILHÕES DE CLIENTES ATINGIDOS
A crise começou a se agravar após o Banco Central do Paraguai determinar, no início de novembro, a intervenção e o procedimento de resolução do Ueno Bank, instituição que possuía aproximadamente 2,9 milhões de clientes.
A medida foi tomada depois que autoridades financeiras identificaram graves problemas de solvência. O índice de capital do banco havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.
Com a suspensão dos serviços, milhões de pessoas ficaram impossibilitadas de movimentar suas contas e acessar suas economias.
O problema atingiu trabalhadores, comerciantes, aposentados e famílias que utilizavam a instituição para suas operações financeiras.
O impacto também chegou aos cofres públicos. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos de entidades estatais, incluindo cerca de US$ 380 milhões vinculados à previdência e à assistência à saúde.
PRISÕES, INVESTIGAÇÕES E SUSPEITAS DE IRREGULARIDADES
O colapso financeiro desencadeou uma investigação de grandes proporções.
Executivos e dirigentes ligados à instituição passaram a ser investigados por suspeitas de irregularidades financeiras, incluindo operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao grupo controlador do banco.
A crise também provocou mudanças no comando do Banco Central paraguaio.
As investigações buscam esclarecer como uma instituição que apresentou crescimento tão expressivo chegou a uma situação de insuficiência de capital e quais mecanismos de fiscalização poderiam ter identificado os problemas anteriormente.
As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam condenações definitivas dos envolvidos.
PRESIDENTE ANUNCIA RENÚNCIA EM MEIO À PRESSÃO POLÍTICA
O escândalo atingiu diretamente o presidente Santiago Peña, que mantinha vínculos empresariais anteriores com o grupo controlador do Ueno Bank.
Parlamentares passaram a questionar a relação entre o governo, a instituição financeira e a aplicação de recursos públicos.
Peña negou irregularidades e afirmou que havia vendido sua participação societária no grupo em março de 2025.
Diante da crescente pressão, anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), alegando a necessidade de preservar a estabilidade nacional e as instituições democráticas.
A crise, entretanto, não terminou com o anúncio.
A Câmara dos Deputados aprovou a acusação para abertura de julgamento político contra o presidente, encaminhando o processo ao Senado. A renúncia não havia sido formalmente concluída até a última atualização consultada, mantendo o país em um cenário de incerteza institucional.
MOEDA DESVALORIZADA E MERCADO FINANCEIRO SOB PRESSÃO
Os reflexos da crise chegaram rapidamente ao mercado financeiro.
Dados divulgados pela imprensa paraguaia mostram que a cotação interbancária do dólar passou de aproximadamente 5.833 guaranis, em 26 de outubro, para 6.388 guaranis, em 5 de novembro.
A elevação de cerca de 9,5% na cotação da moeda americana nesse intervalo representa uma significativa desvalorização do guarani.
Os títulos da dívida pública também sofreram pressão, enquanto investidores passaram a acompanhar com preocupação os desdobramentos políticos e financeiros.
Apesar da gravidade da situação, o Banco Central paraguaio afirma que o problema está concentrado no Ueno Bank e que não há evidências de uma crise generalizada em todo o sistema bancário.
GOVERNO TENTA GARANTIR DEVOLUÇÃO DO DINHEIRO
Uma das maiores preocupações da população é saber quando poderá recuperar os valores depositados.
As autoridades paraguaias anunciaram mecanismos emergenciais para permitir o pagamento antecipado de depósitos cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
A legislação aprovada estabelece um limite de aproximadamente 121,7 milhões de guaranis por depositante nessa etapa de restituição.
A expectativa é que grande parte dos clientes esteja protegida pelo sistema de garantia, mas a recuperação integral de valores superiores ao limite ainda depende do andamento do procedimento de resolução bancária.
CRISE NO PAÍS VIZINHO ACENDE SINAL DE ATENÇÃO NA REGIÃO
A instabilidade no Paraguai também é acompanhada por países vizinhos, especialmente o Brasil, que mantém importantes relações comerciais e econômicas com o território paraguaio.
O país é parceiro estratégico do Brasil na geração de energia por meio da Usina de Itaipu, além de manter intenso intercâmbio comercial e uma forte presença de empresas e investimentos brasileiros.
Embora ainda não existam elementos suficientes para afirmar que a crise bancária provocará consequências diretas significativas para a economia brasileira, o episódio aumenta a atenção sobre o ambiente de negócios e a estabilidade institucional da região.
O QUE PODE ACONTECER AGORA?
O Paraguai chega a esta sexta-feira, 6 de novembro, diante de decisões importantes.
O Senado deverá dar continuidade ao processo de julgamento político de Santiago Peña, enquanto o Congresso discute os desdobramentos de sua renúncia.
Paralelamente, as autoridades financeiras trabalham para restabelecer o acesso dos clientes aos recursos protegidos e esclarecer o destino dos investimentos públicos.
O caso expõe questões fundamentais sobre fiscalização bancária, transparência na administração de recursos públicos e responsabilidade das instituições políticas.
Enquanto o futuro do governo permanece indefinido, milhões de paraguaios aguardam respostas sobre aquilo que mais importa neste momento: a segurança de suas economias e a recuperação do dinheiro depositado.
A crise demonstra como os problemas de uma instituição financeira podem ultrapassar rapidamente os limites da economia e alcançar a estabilidade política de um país inteiro.
Fonte: Reuters, Associated Press (AP), Agência EFE, Deutsche Welle (DW), ABC Color Paraguai e Banco Central do Paraguai. Informações consultadas e atualizadas em 6 de novembro de 2026.
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