Quais as chances de um super El Niño em 2026? A ciência ainda considera cedo para afirmar que o fenômeno atingirá um nível excepcionalmente intenso ou que provocará uma crise global como o episódio histórico de 1998.
Mas uma preocupação já é unanimidade entre cientistas: desta vez, o El Niño causa um temor maior pois se desenvolve em um planeta mais quente e em oceanos já superaquecidos pelas mudanças climáticas.
E é justamente no Pacífico Equatorial que são observados alguns dos sinais mais relevantes, por meio de sistemas de monitoramento da temperatura da superfície do mar por meio de boias, satélites e sensores.
Nos últimos dias, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status de alerta, ao apontar que há 82% de chance do El Niño surgir entre maio e julho de 2026, além de 96% de probabilidade de ele persistir até o inverno do hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Também neste mês de maio, a Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos EUA (NOAA), identificaram áreas do oceano com temperaturas até 6 °C acima da média histórica em maio.
O El Niño ocorre quando as águas da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial ficam anormalmente mais quentes. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica padrões de chuva, temperatura e ventos em diferentes regiões do mundo.
Os impactos variam. Em geral, o fenômeno aumenta o risco de secas em partes da Ásia, Austrália e Amazônia, enquanto pode intensificar chuvas em áreas da América do Sul.
No Brasil, os efeitos normalmente aparecem de forma desigual: enquanto o Sul tende a enfrentar chuvas mais intensas e risco maior de enchentes, partes da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste podem registrar seca, calor extremo e condições mais favoráveis a incêndios florestais.
Seus efeitos impactam a produção agrícola, preços de alimentos e mercados de energia, o que coloca o fenômeno no centro do debate sobre risco climático e adaptação.
Para Artaxo, a principal questão é que o El Niño hoje atua sobre um sistema climático já alterado pelo aquecimento global. “O fenômeno faz o clima sair da sua normalidade e ele está sendo agravado pela crise climática”, afirma.
No Brasil, cientistas acompanham especialmente o potencial impacto sobre extremos climáticos. O último El Niño forte coincidiu com a seca histórica da Amazônia, enchentes no Rio Grande do Sul e incêndios severos no Pantanal.
Por que ainda não é possível cravar um “super El Niño”
Cientistas mundo afora fazem algumas ressalvas na hora de cravar um “super El Niño”. Projeções feitas entre março e maio historicamente apresentam maior margem de erro, em um fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade da primavera”.
Além disso, os modelos ainda divergem sobre a intensidade final do aquecimento no Pacífico Equatorial.
Meteorologistas acompanham especialmente a chamada região Niño 3.4, principal faixa usada internacionalmente para medir a intensidade do El Niño. Na última atualização semanal, a área registrou temperatura 0,4 °C acima da média histórica, ainda abaixo do patamar normalmente utilizado para oficializar o fenômeno.
Mesmo assim, parte dos modelos climáticos passou a indicar um cenário de aquecimento mais intenso nos próximos meses.
Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, mais da metade das projeções aponta temperaturas acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério nortee algumas simulações mais extremas sugerem aquecimento superior a 3 °C.
Fonte SBT Reprodução





