Anvisa aprova segundo genérico de semaglutida no Brasil; medicamento poderá ampliar concorrência e reduzir preços

 

Anvisa aprova segundo genérico de semaglutida no Brasil; medicamento poderá ampliar concorrência e reduzir preços

Novo medicamento será produzido pela Germed Farmacêutica e utiliza o mesmo princípio ativo presente em medicamentos conhecidos como Ozempic e Wegovy

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do segundo medicamento genérico de semaglutida do Brasil, ampliando a concorrência em um dos mercados que mais cresceram nos últimos anos no setor farmacêutico.

A nova autorização foi divulgada nesta segunda-feira (24) e contempla um medicamento produzido pela Germed Farmacêutica. A aprovação acontece apenas uma semana depois de a Anvisa autorizar o primeiro genérico brasileiro de semaglutida sintética, ligado à farmacêutica EMS.

O que é a semaglutida?

A semaglutida ganhou enorme popularidade por ser o princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk.

A substância pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e atua, entre outros mecanismos, no controle da glicemia e da saciedade. Medicamentos contendo semaglutida possuem indicações específicas para tratamento de condições como diabetes tipo 2 e obesidade, conforme o produto e a aprovação regulatória.

O crescimento da procura por esses tratamentos transformou as chamadas “canetas emagrecedoras” em um fenômeno mundial.

Germed terá quatro apresentações

Segundo as informações divulgadas sobre o registro, o genérico da Germed terá quatro versões injetáveis, todas com concentração de 1,34 mg/mL.

As apresentações envolvem diferentes combinações de cartuchos, canetas aplicadoras e agulhas, com volumes que variam entre 1,5 mL e 3 mL.

A chegada de novos fabricantes tornou-se possível em um cenário de expansão da concorrência envolvendo a semaglutida sintética no Brasil.

Segundo genérico aprovado em apenas uma semana

A decisão desta segunda-feira chama atenção principalmente pela velocidade com que novas opções começam a surgir no mercado.

No dia 17 de agosto, a Anvisa havia autorizado o primeiro genérico de semaglutida sintética, produzido pela EMS. Agora, uma semana depois, a Germed passa a contar com o segundo registro dessa categoria.

A ampliação do número de fabricantes poderá aumentar a concorrência e, consequentemente, tornar o tratamento mais acessível aos consumidores.

Genérico deve custar pelo menos 35% menos

Outro ponto que chama atenção é o preço.

De acordo com informações da própria Anvisa sobre a política brasileira de medicamentos genéricos, o medicamento genérico deve apresentar preço no mínimo 35% inferior ao medicamento de referência.

Isso não significa, porém, que as novas canetas já chegarão imediatamente às farmácias com preço definido.

Após a concessão do registro sanitário, ainda existem etapas regulatórias relacionadas à definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes da comercialização. As informações disponíveis nesta segunda-feira ainda não apontam uma data definitiva para o início das vendas do novo genérico.

Mercado das canetas deve ficar ainda mais competitivo

A entrada de medicamentos genéricos representa uma mudança importante no mercado brasileiro da semaglutida.

Até recentemente, os consumidores encontravam um número bastante limitado de opções. Com novos registros, a tendência é de aumento da competição entre os laboratórios e maior variedade de produtos.

Para os pacientes, a principal expectativa é justamente uma possível redução no custo dos tratamentos, especialmente porque terapias com medicamentos dessa categoria podem representar uma despesa significativa e prolongada.

Uso exige prescrição e acompanhamento médico

Apesar da popularização das chamadas canetas emagrecedoras, o uso de semaglutida não deve ser tratado simplesmente como uma alternativa estética para perda de peso.

A Anvisa reforça a necessidade de prescrição e acompanhamento profissional para utilização desses medicamentos. Nas aprovações recentes, a agência destacou que a semaglutida sintética, assim como outros medicamentos da classe dos GLP-1, está sujeita à prescrição médica.

A orientação médica é fundamental para avaliar indicação, dosagem, contraindicações, possíveis efeitos adversos e acompanhamento do paciente durante o tratamento.


Redação: Marcelo Bini – O Prudentopolitano

Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Diário Oficial da União e informações divulgadas pela imprensa nacional nesta segunda-feira (24).

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