ORÇAMENTO APERTADO: DÍVIDAS CONSOMEM 28,9% DA RENDA DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

ORÇAMENTO APERTADO: DÍVIDAS CONSOMEM 28,9% DA RENDA DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

Dados do Banco Central mostram avanço do comprometimento financeiro das famílias; inadimplência também cresce e juros continuam elevados no país

O orçamento das famílias brasileiras está cada vez mais pressionado pelas dívidas. Dados divulgados pelo Banco Central na sexta-feira (28) mostram que o comprometimento da renda com o pagamento de empréstimos e financiamentos chegou a 28,9% em junho de 2026.

Na prática, o indicador revela que uma parcela significativa da renda familiar está sendo direcionada todos os meses para o pagamento de juros e amortizações de dívidas, reduzindo o dinheiro disponível para despesas como alimentação, moradia, energia, combustível, saúde, educação e lazer.

De acordo com o Banco Central, o comprometimento da renda avançou 0,4 ponto percentual em apenas um mês e acumula crescimento de 1,7 ponto percentual nos últimos 12 meses.

Endividamento chega a 49,8%

Outro indicador que chama atenção é o endividamento das famílias, que ficou em 49,8% em junho, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, mas apresentando crescimento de 1 ponto percentual em 12 meses.

É importante diferenciar os dois indicadores. O endividamento representa o estoque das dívidas em relação à renda acumulada das famílias. Já o comprometimento da renda procura mostrar quanto dos rendimentos está sendo destinado ao pagamento do serviço dessas dívidas.

Ou seja: uma família pode estar endividada sem necessariamente estar inadimplente. O problema se agrava quando as parcelas começam a consumir uma fatia cada vez maior do orçamento e surgem dificuldades para manter os pagamentos em dia.

Inadimplência das famílias chega a 5,8%

Os dados referentes a julho mostram outro sinal de alerta.

A inadimplência das operações de crédito destinadas às famílias atingiu 5,8%, crescimento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,1 ponto percentual na comparação com os últimos 12 meses.

Considerando empresas e famílias, a inadimplência de toda a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a 4,9%.

No chamado crédito livre, no qual as taxas são negociadas entre instituições financeiras e clientes, a situação é ainda mais delicada. A inadimplência alcançou 6,4%, enquanto entre as pessoas físicas chegou a 7,8%.

Juros ainda pesam no bolso

Mesmo com uma redução registrada em julho, o custo do crédito continua elevado.

Segundo o Banco Central, a taxa média das novas operações de crédito ficou em 32,1% ao ano. Nas operações com recursos livres, a média chegou a 47,7% ao ano.

Para as pessoas físicas, porém, os juros médios do crédito livre atingiram impressionantes 60% ao ano.

Taxas elevadas tornam a dívida mais difícil de administrar, principalmente quando o consumidor precisa recorrer a novas linhas de crédito para pagar despesas anteriores.

Crédito às famílias continua crescendo

Apesar do cenário de maior comprometimento da renda e aumento da inadimplência, o volume de crédito continua avançando.

O estoque total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou aproximadamente R$ 7,4 trilhões em julho, crescimento de 9,5% em 12 meses.

Somente as operações destinadas às pessoas físicas totalizaram cerca de R$ 4,6 trilhões, com crescimento de 0,8% no mês e 10,8% em um ano.

Segundo o Banco Central, contribuíram para essa expansão modalidades como cartão de crédito à vista, crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado e financiamento para aquisição de veículos.

Menos dinheiro disponível para consumo

O avanço do comprometimento da renda tem consequências que vão além das contas domésticas.

Quando uma parcela maior do salário precisa ser utilizada para pagar dívidas, sobra menos dinheiro para circular no comércio e no setor de serviços. Em municípios como Prudentópolis e nas demais cidades da região Centro-Sul do Paraná, onde comércio e prestação de serviços têm participação importante na economia local, esse comportamento pode ser sentido diretamente pelos empresários e consumidores.

O cenário exige atenção principalmente com modalidades de crédito de juros elevados. Antes de assumir uma nova parcela, é fundamental observar não apenas se ela cabe no orçamento naquele momento, mas também quanto da renda mensal já está comprometida com financiamentos, cartões, empréstimos e outras obrigações.

Os números mais recentes do Banco Central mostram um brasileiro com acesso crescente ao crédito, mas também com uma parcela cada vez maior da renda destinada ao pagamento de dívidas.

E quando quase três de cada dez reais da renda ficam comprometidos com essas obrigações, o sinal de alerta para o orçamento das famílias está aceso.

Fonte: Banco Central do Brasil
Redação: O Prudentopolitano – Marcelo Bini

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